Um espaço para partilha de ideias relacionadas com as práticas artísticas
e os seus efeitos terapêuticos, com destaque para a vertente musical

sábado, 1 de outubro de 2011

Dia Mundial da Música - 1 de Outubro de 2011

HOJE comemora-se o dia mundial da música! Este post pretende constituir uma dedicatória a todos os músicos, musicoterapeutas, cantores, maestros, compositores, DJ's, musicólogos, luthiers, produtores musicais e todos aqueles que vivem para sentir, percepcionar, compreender, usar, recorrer, manipular, transformar, interpretar, criar, recriar, ouvir e escutar música :)

A data foi instituída em 1975 pelo International Music Council, uma instituição fundada em 1949 pela UNESCO, que agrega vários organismos e individualidades do mundo da música.
Os objectivos da celebração do Dia Internacional da Música passam por:
  1. Promover a arte musical em todos os sectores da sociedade;
  2. Aplicação dos ideais da UNESCO como a paz e amizade entre as pessoas, evolução das culturas e troca de experiências.
Hoje, passadas mais de 3 décadas, a data continua a ser assinalada em todo o planeta.


A audição é o primeiro dos sentidos que desenvolvemos, pois ao 3.º mês de concepção já o bebé tem o seu aparelho auditivo acabado. De facto, é através dos ouvidos que tomamos o primeiro contacto com o mundo exterior, e é pelos ouvidos que se conhecem as primeiras características do pai e mãe, através das vozes que inundam a piscina amniótica do ventre materno.

As tentativas de definição de músicas são tantas quanto os ouvintes no mundo. Mas apesar desta diferença, permite a comunicação entre cristãos e muçulmanos, africanos e americanos, profissionais e amadores, crianças e avós, sem a necessidade de uma linguagem falada comum. Platão explica-o justificando que "...a Música penetra mais fundo na alma humana."

Hoje deixo a sugestão de ouvir uma música que lhe agrade especialmente, daquelas que transformam o coração numa fonte de bem-estar tal que somos levados a emanar tranquilidade pelos olhos e jorrar alegria num sorriso constante. Contudo, sugiro que o faça focando-se na tarefa de ouvir música em si, e não enquanto limpa a casa ou lê o jornal. Dedique-se só a ouvir, assimilando cada elemento sonoro, cada instrumento, cada timbre, cada ritmo, nota, velocidade e a retirar o máximo prazer deste exercício.
E se tiver coragem, cante uma canção. E esta actividade sim, pode ser feita enquanto toma banho :)

Imagem acedida em: http://culturascopio.com/wp-content/uploads/2009/09/musica.gif

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Música y Alzheimer

21 Sept se celebrou el día Internacional del Alzheimer. Recomendo ver el trailer de "Las Voces de la memoria". Es un documental interactivo sobre Alzheimer y musicoterapia que narra la historia de un coro formado por enfermos de Alzheimer.




LA HISTORIA
El 26 de septiembre de 2010, el público congregado en el Palau de la Música de Valencia es testigo de un concierto único: un coro integrado por enfermos de Alzheimer interpreta un repertorio que incluye canciones populares, un himno gospel, o complejos ejercicios polifónicos. Este documental descubre cómo ha sido posible llegar hasta aquí, a través de meses de trabajo musicoterapéutico, además de permitirnos asistir al día a día de la convivencia de los enfermos y sus familiares con la demencia, y su asombro ante los beneficios de la música.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Bobby McFerrin’s “Don’t Worry, Be Happy”: A Neuropsychology Reading

by Maria Popova


Unpacking the lyrics of the iconic happiness anthem to find surprising science-tested insights on well-being.

In 1988, Bobby McFerrin wrote one of the most beloved anthems to happiness of all time. On September 24 that year, “Don’t Worry Be Happy” became the first a cappella song to reach #1 on the Billboard Top 100 Chart. But more than a mere feel-good tune, the iconic song is brimming with neuroscience and psychology insights on happiness that McFerrin — whose fascinating musings on music and the brain you might recall from World Science Festival’s Notes & Neurons — embedded in its lyrics, whether consciously or not.

To celebrate the anniversary of “Don’t Worry, Be Happy,” I unpack the verses to explore the neuropsychology wisdom they contain in the context of several studies that offer lab-tested validation for McFerrin’s intuitive insight.


"In every life we have some trouble
When you worry you make it double"

Our tendency to add more stress to our stress by dwelling on it is known is Buddhism as the second arrow and its eradication is a cornerstone of mindfulness practice. But now scientists are confirming that worrying about our worries is rather worrisome. Recent research has found prolonged negative cardiac effects of worry episodes, following a 2006 study that linked worrying to heart disease.

"Here, I give you my phone number
When you worry call meI make you happy"

Multiple studies have confirmed the positive correlation between social support and well-being, and some have examined the “buffering model,” which holds that social support protects people from the adverse effects of stressful events.Harvard physician Nicholas Christakis has studied the surprising power of our social networks, finding profound and long-term correlation between the well-being, both physical and mental, of those with whom we choose to surround ourselves and our own

"Cause when you worry
Your face will frown
And that will bring everybody down"

Mirror neurons are one of the most important and fascinating discoveries of modern neuroscience — neurons that fire not only when we perform a behavior, but also when we observe that behavior in others. In other words, neural circuitry that serves as social mimicry allowing the expressed emotions of others to trigger a reflection of these emotions in us. Frowns, it turns out, are indeed contagious.

"Put a smile on your face"

Pop-culture wisdom calls it “fake it ’till you make it”; psychotherapy calls it “cognitive behavioral therapy“; social psychology call it story editing. Evidence abounds that consciously changing our thoughts and behaviors to emulate the emotions we’d like to feel helps us internalize and embody those emotions in a genuine felt sense. Paul Ekman, who pioneered the study of facial expressions, found that voluntarily producing a smile may help deliberately generate the psychological change that takes place during spontaneous positive affect — something corroborated in the recently explored science of smiles.

"Don’t worry, it will soon pass
Whatever it is"

In 1983, UCLA psychologist Shelley E. Taylor published a seminal paper [PDF] in the journal American Psychologist proposing a theory of cognitive adaptation for how we adjust to threatening events, based on evidence from a number of clinical and empirical studies indicating that we grossly overestimate the negative impact of the events that befall us, from cancer to divorce to paralysis, and return to our previous levels of happiness shortly after these negative events take place.

sábado, 3 de setembro de 2011

Arte transformada em terapia

Texto de: NUNO MIGUEL ROPIO

Pacientes do Hospital Júlio de Matos encontram no teatro forma de integração social

Oriundos de vários concelhos da Grande Lisboa, todos têm o mesmo objectivo: derrubar os muros que se erguem em redor das doenças mentais. Escolheram o teatro como terapia alternativa para combater a exclusão social.

"Sabe o que é normal e anormal? Sabe onde está a fronteira entre os dois?". As questões são colocadas, ao JN, por João Silva, encenador do Grupo de Teatro Terapêutico do Júlio de Matos, logo à entrada da sala de ensaios, instalada no primeiro andar do pavilhão principal daquele hospital, na Avenida do Brasil, em Lisboa. Ali, encontram-se, três vezes por semana, cerca de 15 pacientes que, através da arte, mostram uma outra face do fantasma das doenças do foro psiquiátrico.

Cerca de 10 minutos depois, não é difícil perceber as várias psicoses ou fobias dos actores. Enquanto que uns interrompem frequentemente os colegas, outros refugiam-se num silêncio atroz, do qual teimam em sair.

"Sempre sonhei fazer teatro, porque sentia aquelas vozes na minha cabeça que me diziam que era este o meu caminho. Mas pensava que não tinha jeito", admite Miguel Carvalho, de 42 anos, um dos actores. Intimidado, nunca levanta os olhos do soalho de madeira. "Sabe o que disse a minha irmã quando me viu pela primeira vez a representar? Agarrou-se a mim a chorar. Foi bonito", lembra.

A maioria dos elementos entrou no grupo - criado em 1968 - aconselhada pelos médicos que a acompanha no Júlio de Matos. Há ainda os que, exteriores à instituição, souberam da existência daquele tipo de terapia complementar à medicação, mas à qual só acederam através de uma declaração do seu psicólogo.

Os encontros entre actores e encenador, mais do que de uma discussão de temas para as novas peças, convertem-se em tertúlias, onde o assunto principal da conversa é a doença que os une. Naquele grupo, onde a permanência dos pacientes é muito variável, a antiguidade é um posto. E António Santana é o elemento que há mais tempo encarna as personagens desenhadas por João Silva.

Em 1982, a representação surgiu como um corte radical com uma vida inteira de internamento no Júlio de Matos, que já foi considerado um dos maiores e melhores hospitais psiquiátricos em toda a Europa. "Estive 22 anos internado num pavilhão. Dependia de imensos medicamentos, babava-me e rastejava. A minha vida era miserável", conta António, o mais calmo dos actores.

Com chegada de mais um paciente à sala, o grupo alarga-se numa enorme roda, composta ainda por terapeutas da fala e psicólogos. A maior parte tem vergonha em admitir publicamente a doença. "Comigo não vai falar, está a perceber?", grita, para o JN, incessantemente, uma outra actriz. Acaba por se levantar e caminhar para um canto da sala. Dali fica a observar o restante grupo.

"Temos de ter sensatez ao lidar com estes actores. Poderemos levar um ano de ensaios. E há um relacionamento que é preciso ir cultivando", traduz João Silva.



Imagem em: http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRom2Jfj4sz00uLrc6z76KL6T2FbdQ5X_893Rrr7oT7VPPNPo6BIg

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O estudo da música desenvolve o raciocínio superior

A participação em actividades musicais aumenta a habilidade da criança para aprender matemática básica e leitura, relatam diferentes pesquisas recentes realizadas nos EUA e Alemanha. Os estudantes que participaram em programas de música obtiveram notas significativamente mais altas nos testes padronizados relativamente aos que não participaram. Por outro lado, o estudo de música desenvolve habilidades fundamentais para uma vida bem sucedida, como por exemplo, autodisciplina, capacidade para trabalhar em grupo e facilidade para a resolução de problemas.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Munster, Alemanha, observou que o facto de ter aulas de música na infância aumenta o tamanho do cérebro. A área cerebral que se utiliza para analisar o tom de uma nota musical, por exemplo, é 25% maior nos músicos, em comparação com as de pessoas que nunca tocaram um instrumento. As descobertas indicam que a área cerebral aumenta com a prática e a experiência, pois, quanto mais jovens eram os músicos quando iniciaram o aprendizado musical, maior é essa área em seus cérebros.

Um outro grupo de pesquisadores que estuda a ligação entre música e a inteligência informa que, em crianças, a aprendizagem musical supera a instrução de informática no que se refere ao estímulo das habilidades de raciocínio matemático e ciências.

Essas descobertas foram publicadas numa edição da revista Neurological Research, e são o resultado de dois anos de experiências em crianças em idade pré-escolar, dirigidas pela psicóloga Dra. Frances Rauscher, da Universidade de Wiscosin em Oshkosh, e pelo físico Dr. Gordon Shaw, da Universidade da Califórnia, em Irvine, EUA.

Os seus estudos revolucionários sugerem a forma pela qual a música pode aumentar a habilidade de raciocínio espacial. A experiência incluiu três grupos de crianças em idade pré-escolar. Um grupo recebeu aulas particulares de piano e aulas de canto; um segundo grupo, recebeu lições de informática; o terceiro grupo, não recebeu qualquer treino. As crianças que passaram pelo treino de piano obtiveram resultados 34% mais altos nos testes que mediam as habilidades "têmporo-espaciais", em comparação com os outros grupos. "Têmporo-espacial"é a capacidade de raciocínio proporcional, necessário aos estudos como: proporções, fracções epensamento no espaço e no tempo. Esta evidência sugere que o estudo da música aumenta as funções cerebrais superiores exigidas para aprender matemática, xadrez e engenharia.

As implicações destes e de outros estudos que vêm sendo realizados podem mudar a forma como os educadores consideram actualmente o currículo escolar, incluindo o estudo da música no quotidiano. Cientistas argumentam que, se mais administradores escolares estivessem a par deste tipo de pesquisas, não mudaria apenas o conteúdo dos currículos, mas matérias como língua estrangeira e geometria seriam ministradas mais cedo às crianças; a música e ginástica seriam requisitos diários.


Algumas escolas, como as da linha da Pedagogia Waldorf, já reconhecem esta ideologia desde a sua inauguração há cerca de um século, através do filósofo alemão Rudolf Steiner.
Os alunos iniciam diariamente suas aulas com a prática em conjunto de flauta doce, que contribui também para harmonização do grupo da sala de aula. Utilizam também as formas geométricas para crianças antes mesmo do foco na alfabetização, como forma de preparar a coordenação motora fina para o traçado das letras. A arte dramática inicia-se cedo, com as mais variadas linguagens. A partir do segundo ano, por exemplo, as crianças recebem um verso no início do ano, que terão que declamar para toda a classe uma vez por semana. As artes dramáticas vão evoluindo, onde no oitavo ano, os alunos se preparam por todo o ano para uma apresentação para toda a comunidade escolar de uma peça teatral muito bem estruturada, digna de ser apresentada em qualquer casa de espetáculos culturais. A música e a arte permeiam todo o ensino do currículo pedagógico Waldorf e são a própria base para o desenvolvimento cognitivo e do carácter do aluno.

"A música é um instrumento educacional mais potente que qualquer outro"
disse certa vez Platão. Agora os cientistas sabem o porquê.

Bibliografia: http://musicoterapia-mc.zip.net/

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Especialistas começam a construir Casa de Sonhos para crianças autistas

Um grupo de especialistas de saúde mental está a criar um centro de tratamento e investigação para crianças e jovens autistas, com o objectivo de apoiar famílias de todas as classes socioeconómicas. A médica Maria José Vidigal explicou à agência Lusa que a Casa dos Sonhos é um projecto que está a dar os primeiros passos para intervir junto das famílias de crianças com problemas da área do autismo.


Considerada pela especialista como a “doença mais grave da infância”, o autismo precisa ainda de muita análise e investigação.

Neste projecto privado, mas com vertente de solidariedade social, os especialistas não querem privilegiar “uma classe em relação às outras”. “Ainda não temos tudo completamente definido, mas em princípio as famílias pagarão conforme as suas possibilidades. Não queremos excluir ninguém”, refere a médica, que dedicou as suas décadas de trabalho a crianças com estes problemas.
O objectivo é trabalhar com pais de crianças “com inquietações na área da saúde mental”, para fazer “um diagnóstico o mais fino possível”.
Consoante os casos e as idades das crianças e jovens, o centro terá vários tipos de terapia, desde a psicoterapia à terapia da fala, passando pela musicoterapia.
Além do autismo, pretende-se também estudar outros tipos de patologia, incluindo problemas de comportamento.

“É um projecto muito ambicioso”, assume Maria José Vidigal, indicando que a Casa dos Sonhos vem “colmatar uma lacuna, sobretudo na formação dos profissionais mais novos”.
Contra a ideia de que tudo se resolve apenas com medicação, estes especialistas pretendem um “acompanhamento integrado”, recusando sempre que possível ter crianças internadas: “Queremos as crianças nos seus meios familiares e escolares”.
Por agora, a Casa dos Sonhos ainda não tem instalações dignas do nome do projecto, por isso a solução passará por pedir apoios financeiros para a cedência de um espaço em Lisboa que dê corpo a este sonho.

FONTE:
Especialistas começam a construir Casa de Sonhos para crianças autistas - Sociedade - PUBLICO.PT
Imagem acedida em:
http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTwwwYigLImsSjNS6tSKZCnxWtchYOKUvugZxZz_IRGK-5nGvIjeA


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Expressive Therapies II

All of the arts therapies share features that distinguish them from what has been called “the talking cure” – a primary commitment to expressive action that engages emotions in a direct and physical way; an ability to generate creative energy as a healing force for mind, body, and spirit; and a belief that the creative imagination can find its way through our most perplexing and complex problems and conflicts.


Spoken language has many limits when it comes to communicating the total range of human emotions and experience, and the psychological realization that diverse forms of symbolic expression fulfill basic human needs. Cathy Malchiody uses the term “Expressive therapies” to designate the use of all of the arts in therapy. She define the term as an attempt to build bridges among the modalities and to create a strong new professional area that could participate as a peer with the older and larger disciplines of psychiatry, psychology and social work.

The use of arts in healing has deep and lasting roots in human experience. The original expressive therapists were inspired by visions of what the arts and the creative spirit can bring to the mental health field. The practice of expressive therapies that first took place in mental hospitals and clinics has now expanded to schools, hospices, community centers, disaster relief programs, churches, prisons, courts, cultural institutions, the workplace, and every conceivable setting committed to responding to the creative needs for people. All of a person’s expressive faculties dramatically enacting a conflict can offer insights and solutions that cannot be accessed through more linear verbal discussions. Jung experienced how the process of creation, without reliance on verbal explanation, heals by generating life-enhancing energies that revitalize the soul.

While talk is still the traditional method of exchange in therapy and counseling, practiotioners of expressive therapies know that people also have different expressive styles, one individual may be more visual, another more tactile, and so forth. When therapists are able to include these various expressive capacities in their work with clients, they can more fully enhance each person’s abilities to communicate effectively and authentically. For a child who has limited language, or elderly person who has lost the ability to talk because of a stroke or dementia, or a trauma victim who may be unable to put ideas into speech, expression through art, music, movement or play can be ways to convey oneself without words and may be the primary form of communication in therapy.

The therapeutic use of art, play or sandtray can augment the productive use of imagination, helping the individual discover and develop corrective solutions leading to change, resolution and reparation.


Info at: Malchiodi, C. (2005). Expressive Therapies. New York, The Guilford Press

Image at: http://www.derby.ac.uk/images/dr_5e84a02384b965569a9d001059238aa2.jpg